quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A angústia nasce das possibilidades

Com quinze anos, acreditava que o príncipe encantado viria montado num lindo cavalo branco. Aos vinte, a exigência ficou menor: o cavalo pode ser de outra cor. Aos vinte e cinco anos, começo a aceitar a possibilidade de que o cavalo seja um pangaré mesmo. Aos trinta o cavalo já nem é mais necessário, pode vir de jegue, mas que venha rápido.



À medida que o tempo passa, as expectativas vão se acomodando dentro das nossas realidades. Pois quanto maior o horizonte de possibilidades, maiores são as exigências que fazemos. “A angústia nasce das possibilidades”.

Quando temos mais de uma opção, forçamos a divisão do nosso coração no processo da escolha. Queremos que ele indique a pessoa para qual devemos dedicar todo nosso afeto. Inegavelmente, de certa forma, participamos de um grande leilão de amores. Prevalece a lei da oferta e da procura.  O triste é perceber que nos dias de hoje, jovens que já se sentem na “liquidação”, passaram por diversos “proprietários” e depois foram devolvidos. Provaram a dolorosa experiência de serem usados e descartados, como objetos de consumo.

Acostumamos a ouvir as histórias das princesas que vivem acorrentadas nas altas torres esperando que seu príncipe venha libertá-la. O interessante é perceber que o amor sempre vence as alturas das torres e as madrastas maldosas. O beijo final é a realização do sonho humano, de um dia, finalmente descansar nos braços de um amor eterno. Universo metafórico.
Voltando a vida real, os cavalos não são tão brancos, os príncipes não são tão belos e as princesas têm frieiras nos dedos dos pés. Somos a mistura de qualidades e defeitos, belezas e feiuras.

Ao percebemos a incompatibilidade entre sonho e realidade, descobrimos que o outro na verdade foi fruto das minhas projeções e carências. Assim passamos a esperar o que não existe.



Cavalos brancos são raros hoje em dia, é mais fácil seu príncipe chegar de bicicleta ou num fusca azul.

Não tem problema, o importante é que venha. Embora não seja nos moldes dos contos de fadas, vocês também têm o direito de serem felizes para sempre.




Artigo escrito pelo príncipe Frank

2 comentários:

  1. Adorei o artigo, leve, engraçado e de muito conteúdo.

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  2. Adorei o artigo,em poucas palavras fala coisas que tocam nosso coração... Principe Frank vc escreve como o Pe Fábio de Melo.... beijos

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